OS ANTIGOS MISTÉRIOS parte 2

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A MALDIÇÃO DOS
TEMPLARIOS

A fim de compreendermos o surgimento das sociedades secretas medievais, temos, primeiro, de examinar o ambiente de pano de fundo à fundação do cristianismo, que constituiu a maior influência religiosa sobre a política européia da Idade Média. As histórias ortodoxas do cristianismo inicial dão a falsa impressão de que a nova fé substituiu as degeneradas religiões pagãs no espaço de algumas centenas de anos, encontrando uma resistência apenas moderada por parte dos seguidores dos antigos deuses. A conversão, no leito da morte, do imperador Constantino à nova religião e a sua aceitação dela como a fé do Império Romano, já em declínio durante a sua vida, certamente dotaram os primeiros cristãos de uma base no poder estabelecido. Entretanto, eles ainda enfrentavam uma forte e, muitas vezes, violenta oposição por parte dos simpatizantes do sistema de crenças pagãs, que se mostravam relutantes em aceitar os novos ensinamentos, ao menos na forma em que eram apresentados pela Igreja primitiva, a qual havia efetivamente suprimido o evangelho de Jesus de Nazaré.
Quando Jesus pregava a sua mensagem radical aos seus seguidores judeus na Judéia, então sob ocupação romana, a religião paga, no mundo clássico, havia se degenerado. os sacerdotes das religiões pagãs estabelecidas haviam se tornado corruptos, ávidos de poder e entregues a vícios anormais como a pederastia. Eles estavam sendo desafiados pelos cultos dos mistérios, que propiciavam a iniciação em sociedades secretas preservando a Sabedoria Antiga e ensinando a senda oculta à iluminação espiritual. Esses cultos dos Mistérios eram baseados nos antigos temas da morte, do renascimento e da fertilidade, expressos através do simbolismo interno das religiões pagãs do Egito, da Caldéia, da Babilônia e da Grécia.
os cultos dos Mistérios se valiam de elaboradas cerimônias de iniciação, de um simbolismo arcano e de rituais teatrais para proporcionar ao iniciado a revelação da realidade espiritual oculta por detrás da ilusão do mundo material. Durante a iniciação, o neóflito era posto em um transe e experimentava o contacto com os deuses através de uma viagem simbólica ao Outro Mundo. Os iniciados morriam simbolicamente, renascendo como almas perfeitas. O propósito subjacente a tais rituais era provar ao candidato que o corpo em que havia encarnado no plano físico era um objeto ilusório, que o espírito era a única realidade verdadeira e que a reeencarnação na Terra era um processo de aprendizado para o desenvolvimento espiritual. Essas crenças pagãs iriam formar o drama central do mistério dos rituais de iniciação praticados nas lojas da franco-maçonaria especulativa.
O cristianismo inicial estava permeado pela influência dos cultos dos Mistérios. Ainda que a Igreja proibisse as doutrinas pagãs, como a reencarnação, condenada pelo Concílio de Nicéia em 325 d.C. reofertasse templos pagãos ao culto cristão e transformasse deuses pagãos em santos, ela logo descobriu ser impossível erradicar totalmente o paganismo. O culto às deusas predominava no mundo antigo e a devoção da Igreja Católica à Virgem Maria constitui um exemplo da influência do princípio feminino sobre a crença cristã primordial. A virgem recebeu o título de rainha do Céu, sendo representada com um manto azul decorado com estrelas e erguendo-se sobre uma lua crescente. Essa imagem é quase idêntica às representações pagãs da deusa do amor Istar, adorada pelos babilônios. As estátuas da Madona com o menino Jesus entre os braços, erigidas nas igrejas católicas, são cópias quase exatas das efígies de Ísis amamentando o seu filho Horus, encontradas nos templos egípcios.
Durante o período que se seguiu à emergência dos cultos dos mistérios e a adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano, surgiu no Oriente Médio um novo movimento místico procurando sintetizar os melhores elementos do paganismo decadente com as novas crenças cristãs. O movimento era conhecido por gnosticismo, do grego gnosis, significando “conhecimento”, e os gnósticos compartilhavam, com os discípulos originais de Jesus a crença que Deus poderia ser diretamente contactado, sem a intercessão do clero estabelecido, Alegavam eles terem preservado os verdadeiros ensinamentos de Jesus, que haviam sido suprimidos pelos concílios eclesiásticos organizados pela Igreja, a fim de produzir um dogma unificado para a nova religião.
Os gnósticos derivaram a sua inspiração espiritual de uma variedade de fontes, incluindo os Mistérios gregos e romanos, a mitologia egípcia antiga, a tradição hermética, as doutrinas dualistas do zoroastrismo, os cultos da fertilidade do Oriente Médio, a religião estelar dos caldeus e os cristianismo esotérico. O gnosticismo derivava as suas crenças centrais das obras do líder espiritual persa Zoroastro, que vivera em aproximadamente 1800 a.C. Ele era um sacerdote da religião indo-ariana, que envolvia o culto das forças elementares da água e do fogo. Aos 30 anos, Zoroastro teve uma visão, durante a qual um dos deuses iranianos, Ahura-Masda ou Ormuzde, apareceu-lhe e disse que era o Ser Supremo. A partir desse momento, Zoroastro rompeu com a religião estabelecida e ensinou a sua própria filosofia, baseada no universo como um campo de batalha cósmico entre as forças opostas da luz e das trevas, em eterno conflito. De acordo com o zoroastrismo, a pessoa iluminada tinha de escolher entre um ou outro desses princípios.
A iniciação na religião de Zoroastro se dava aos 15 anos, quando ambos os sexos eram admitidos em seus ritos. o candidato à iniciação recebia uma corda especial que usava como um  cinturão. Ela era passada três vezes em torno da cintura e amarrada na frente e atrás. Diariamente, o iniciado desamarrava a corda e, depois a recolocava, ao mesmo tempo em que recitava preces, usando-a à ,maneira de um rosário católico. Existem semelhanças entre essa corda e a usada pelos sacerdotes brâmanes na Índia, sobretudo porque era usada sobre uma camisa ou túnica de algodão branca que era um símbolo da perfeição espiritual.
Em seus estágios posteriores, o zoroastrismo passou a ser associado ao culto do Mistério do deus-touro Mithra, originário na Pérsia como uma ramificação da religião de Zoroastro, mas, que, rapidamente, se alastrou para o oeste, onde fez muitos conversos entre os soldados de Roma imperial, atraídos por sua imagem masculina. Mithra era um deus discípulo da luz que, em comum com Jesus, nascera em uma caverna cercado de animais e pastores, no solstício de inverno, em dezembro. Uma famosa estátua de Mithra, que pode ser vista no Museu britânico, representa-o montado sobre um touro e mergulhado um punhal em seu pescoço. O sangue jorra da ferida e penetra na terra para fertilizá-la Mithra usa uma túnica curta e um manto e, sobre a sua cabeça, está o barrete frígio também associado a Adônis e Átis. Essa cobertura para a cabeça característica foi adotada, tanto pelos maçons medievais como pela guarda revolucionária durante a Revolução Francesa.
No zoroastrismo e gnosticismo, Mithra tornou-se o mediador entre os opostos cósmicos de Ormuzde e Ahriman, os deuses que representavam os poderes da luz e das trevas, Os gnósticos ensinavam que, pela compreensão do papel de Mithra, os seus devotos humanos poderiam aprender a reconciliar os aspectos bons e maus de suas próprias naturezas, percebendo que o mal não passava da imagem em forma de sombra do bem e que ambos tinham de existir em um mundo imperfeito. Mithra também estava associado a outra deidade gnóstica conhecida como Aion, que representava o tempo incessante. Os zoroastristas viam o universo como funcionando dentro de uma escala de tempo cíclica, com Aion sendo um deus tanto da destruição como da criação. Ele era simbolizado em forma humana com uma cabeça de leão e uma serpente enrolada em torno do corpo. Muitas vezes, ele apresenta o falo ereto e se ergue sobre um globo terrestre circundado pelo Zodíaco. uma estátua de Aion, desenterrada de uma vila romana do século I.d.C. e, agora, preservada no Vaticano, representa-o alado e desnudo, somente coberto por um avental de tipo maçônico.
O candidato à iniciação nos Mistérios mitraicos participava de um rito de morte e renascimento, comparável ao cerimonial maçônico. Pedia-se-lhe que deitasse sobre o solo e se fizesse de morto. o sumo sacerdote do culto agarrava o iniciado “morto” pela mão direita, levantando-o em um ato simbólico de renascimento. Após o ritual, os membros do culto compartilhavam uma refeição ritual de pão e vinho. Durante essa comunhão simbólica, eles acreditavam estar comendo a carne do jovem deus Sol e bebendo o seu sangue.
Conforme já dissemos, os gnósticos derivaram algumas de suas doutrinas da religião estelar praticada pelos astrólogos caldeus. Eles adotaram os sete espíritos ou deuses planetários de seu panteão pagão, que também eram representados pelos deuses clássicos da mitologia greco-romano — Mercúrio (Hermes), Vênus (Afrodite), Marte (Ares), Júpter (Zeus), Saturno (Cronos), Sol e Lua. Na crença gnóstica, esses deuses foram transformados em arcanjos, que se tornaram o foco central da magia medieval e da tradição hermética.
Os gnósticos tentaram unir o paganismo ao cristianismo, produzindo uma versão híbrida da nova fé baseada nos textos heréticos que circularam após a morte de Jesus. Sabe-se muito bem que os evangelhos foram escritos muitos anos, após a crucificação e que seus autores não foram testemunhas diretas dos eventos por eles descritos, ainda, que usassem os nomes dos discípulos de Jesus. Os primeiros concílios da Igreja decidiram que evangelhos seriam incluídos no Novo Testamento oficial, rejeitando os que não correspondiam a sua versão da fé cristã.
Na versão ortodoxa do Novo Testamento, faz-se alusão a Jesus como um descendente da casa real de Davi, significando que também descendia do mago Salomão, que construiu um templo em Jerusalém para o culto da Deusa. Os gnósticos observam referências, nos evangelhos heréticos, ao fato de Jesus ter tido irmãos e, também, de ter sido chamado de filho da viúva, pois José faleceu antes de Jesus começar a sua jornada de pregação. O filho da viúva era um título simbólico concedido a Hiram Abiff, ao deus egípcio Horus e a Mthra.
Segundo a crença gnóstica, Jesus um homem comum que fora dominado pelo espírito de Deus e se tornara o Cristo — do grego kristos, significando “o ungido”. A morte física de Jesus na cruz — alegavam os gnósticos — só se explica, realmente, se a força de Cristo o abandonou antes da crucificação. Segundo uma explicação alternativa, Jesus sobreviveu à morte na cruz, sendo substituído por um bode expiatório que morreu em seu lugar, ou foi tirado da cruz vivo, reanimado e enviado às escondidas para fora do país, Se Jesus não morreu na cruz, qual foi o seu destino? Segundo várias teorias especulativas, ele teria levado uma vida monástica em uma comunidade essência às margens do Mar Morto, teria morrido de velhice em Kashmir, teria sido morto pelos romanos em Massada durante a revolta judaica ou viajado para a Europa a fim de gerar a futura dinastia real francesa.
Qualquer que tenha sido a sua crença sobre a morte de Jesus, a maioria dos gnósticos rejeitava o símbolo da cruz. Eles condenavam a adoração de um instrumento de morte e tortura.  Outros gnósticos adotaram a visão mais extrema de que o Deus do Antigo  Testamento, Jeová, seria Satã e de que o Supremo criador do universo teria enviado o Cristo, encarnado no corpo de Jesus, a fim de salvar a humanidade. Os romanos e os sacerdotes judeus, agindo como agentes de Satã-Jeová, conspiraram para assassinar Jesus, de modo, que venerar a cruz era adorar um símbolo do mal satânico.
Essa última crença também foi compartilhada pelos maniqueístas, nome originário de seu fundador, Mani, nascido na Pérsia no século III d.C. Mani se convertera ao gnosticismo através dos ensinamentos de Zoroastro e pregava a dualidade do universo que, na crença judaico-cristã, estava simbolicamente dividido entre Deus e Satã, eternamente batalhando pelas almas da humanidade, em um jogo de xadrez cósmico. os maniqueístas tinham crenças religiosas rigorosas que incluíam o celibato para os seus sacerdotes — homens e mulheres —, uma dieta vegetariana e a proibição do álcool e das drogas. os ensinamentos de Mani se espalharam, rapidamente, pelo Oriente Médio e Império Romano  e, em certa época, competia seriamente como o emergente culto cristão pelos conversos. Eles também se disseminaram a leste da Pérsia, ganhando muitos conversos na China e Índia, durante os primeiros séculos da era cristã.
A heresia de Mani parece Ter sido um fator que contribuiu para o surgimento dos cátaros ou albigenses, nos séculos XI e XII d.C. As origens dos cátaros são obscuras, mas sabe-se que hereges dualistas haviam estabelecidos grupos no Oriente Médio e leste europeu, no século X. Na Bulgária, uma seita conhecida como os bogomilos foi implacavelmente perseguida pela Igreja, que os acusou de práticas sexuais anormais. Devemos a essa seita a origem da moderna gíria inglesa “buggery” significando o coito anal, ainda que não haja evidências de que membros desse culto tivessem se entregue a essa prática.
Da Bulgária e Iugoslávia, a doutrina herética dos cátaros (do grego cathari, significando “os puros”) estabeleceu comunidades n o norte da Itália, nas regiões alpinas e n sul da França. À semelhança da maioria das filosofias gnósticas, os cátaros ensinavam a crença dualista nos poderes opostos da luz e das trevas. Entretanto, eles também ensinavam a crença pagã na reencarnação e identificavam o mundo material como o plano da ilusão. Os cátaros acreditavam que a humanidade poderia ser salva levando uma vida moral e, assim como os gnósticos, rejeitavam a cruz como um símbolo do mal. Eles se recusavam a aceitar a Igreja Católica como a verdadeira guardiã dos ensinamentos de Jesus, ensinavam que todos os homens e mulheres eram iguais e construíram hospitais e escolas para os pobres. os cátaros tinham um círculo interno dentro do clero com sete graus  de iniciação, representando os estágios da perfeição espiritual. As cerimônias eram realizadas ao ar livre, em cavernas e florestas, e os iniciados cátaros vestiam túnicas brancas amarradas com uma corda.
Em face à ameaça dos cátaros, a Igreja reagiu de sua forma tradicional. Ela acusou os hereges de culto ao diabo, sacrifícios humanos, canibalismo, incesto, homossexualismo e celebração da Missa Negra. A última acusação se baseava na prática cátara do agape ou festa do amor, herdada dos Mistérios pagãos. Em 1209, a Igreja lançou uma cruzada contra os cátaros e milhares deles foram mortos. o cavaleiro que liderou a cruzada, interpelado pelos seus homens s obre quem deveriam abater a fio de espada e quem deveriam poupar, nas cidades atacadas, replicou com as palavras imortais: “Matarem-nos a todos. Deus reconhecerá os Seus.”
Os cátaros não aceitaram a perseguição pela Igreja docilmente, ao contrário defenderam-se com todos os recursos disponíveis. No entanto, a derrota final adveio em Montsegur, aos pés dos Pirineus, quando, em março de 1244, mais de 200 sacerdotes cátaros foram massacrados pelas forças cristãs. Alega-se que, pouco depois de fortaleza Ter sido subjugada pelos cruzados, um tesouro secreto foi removido do castelo e escondido em algum ponto dos territórios das redondezas. A especulação sobre a natureza desse tesouro tem sido fértil no correr dos séculos. Alguns ocultistas chegaram a argumentar que os cátaros seriam os guardiões do Santo Grall — o cálice usado por Jesus na última ceia —, o qual eles não queriam ver capturado pela Igreja Romana, segundo eles uma títere de Satã. Outras teorias defendem que o tesouro misterioso seriam escritos esotéricos revelando os ensinamentos ocultistas dos cátaros a partir de suas origens pagãs. Essa crença se afigura mais provável do que a teoria do Graal.
Os historiadores estudiosos dos cátaros tem apontado muitas conexões pagãs na área em torno de Montsegur. A alguns quilômetros do castelo, está o local de um altar druida datando dos tempos célticos e uma cruz cristã esculpida com símbolos pagãos. Em cavernas próximas, existem indícios do culto a Mithra, e o próprio sítio de Montsegur tinha a reputação de Ter sido um centro da adoração solar pagã milhares de anos antes da chegada dos cátaros.
Conforme vimos, os cátaros tinham vínculos com dualismo do Oriente Médio, os cultos dos Mistérios e os gnósticos, sendo através dessas conexões que eles podem ser vinculados com sociedades secretas  tais como os Sufis e os Assassinos, que, por sua vez, influenciaram os Cavaleiros Templários, Os sufis são, tradicionalmente, os seguidores da tradição secreta encoberta pela ordoxia do islamismo. Atualmente, a religião fundada pelo profeta Maomé é, essencialmente, patriarcal, mas a religião original da Arábia encontrava-se na adoração do princípio feminino. A Caaba, ou mesquita de Meca, centro sagrado da crença islâmica, era, originalmente, o local de um templo pagão. Acredita-se que a misteriosa pedra negra adorada dentro da Caaba que, segundo a crença islâmica, foi dada ao profeta Abraão pelo arcanjo Gabriel, fosse, de fato, o objeto de culto de um centro pré-islâmico de adoração à Deusa.
Na crença islâmica, a sexta-feira é um dia sagrado, e no mundo clássico esse dia era dedicado à deusa do amor, Vênus. A cor tradicional de Maomé é verde, que é associada à Grande Deusa Mãe em seu aspecto egípcio como Ísis, a Senhora da Natureza. Os símbolos islâmicos da cimitarra e do crescente têm sido identificados, variadamente, como a Lua ou a estrela da manhã, Vênus. É possível que Maomé tivesse contactos com o sistema de crenças gnóstico. Ele foi, certamente, ensinado por monges cristãos, reconhecendo a sua contribuição na fundação de sua nova religião. Ainda que islamismo e cristianismo fossem, na Idade Média, politicamente rivais, havia diversos vínculos entre as duas religiões. Ambas eram monoteístas, patriarcais e derivavam a sua inspiração espiritual de uma fonte semita comum. Os seguidores do islamismo reconheciam em Jesus um grande mestre espiritual, apesar de não aceitarem a sua divindade, e reverenciavam muitos dos patriarcas do antigo Testamento.
Se bem que a tradição sufis supostamente se originou do islamismo, há quem afirme que as suas crenças foram bem mais antigas. Em seu livro póstumo, The Masters of Wisdom, J.G. Bennett descreve como foi levado pelo místico russo, Gregori Gurdjieff, para ver as pinturas de caverna pré-históricas em Lascaux. Gurdjieff mostrou a Bennett os desenhos, nas paredes da caverna, de rebanhos de renas cruzando um rio, e explicou tratar-se de uma representação simbólica de um antigo ritual iniciatório. De acordo com Gurdjieff, o número de chifres das renas representava o nível de espiritualidade alcançado pelos iniciados, dos quais elas eram o emblema totêmico.
Gurdjieff revelou em confiança a Bennett que essas antigas escolas de Mistérios datavam de 30 a 40 mil anos e que aprendera sobre elas ao estudar desenhos de cavernas nas montanhas caucasianas e no Turquestão. O místico russo havia recebido a iniciação de mestres sufis, de modo que, quando, na mesma passagem do livro, Bennett revela que existe uma tradição no sufismo remontando à Ásia Central de 40 mil anos atrás, não temos dúvidas quanto à fonte dessa surpreendente informação.
A semelhança do cristianismo, a introdução do islamismo sofreu resistência por parte dos árabes que continuaram seguindo o culto aos deuses pagãos. Após a morte de Maomé, surgiram várias seitas heréticas, promovendo formas alternativas ao islamismo, e foram fundadas sociedades secretas baseadas nessas filosofias. Elas incluíam os ismaelitas, batimis, karmatitas, fatímidas e drusos. Várias dessas seitas heréticas se inspiraram em idéias gnóticas e maniqueístas, e algumas alegavam estar preservando a tradição ocultista árabe.
A mais poderosa e bem-documentada sociedade secreta islâmica operando no Oriente Médio foi a seita popularmente conhecida como os Assassinos. As suas origens estão encobertas pelo mistério, mas eles parecem Ter estado vagamente vinculados ao gnosticismo. No século XI d.C., surgiu na Pérsia um místico chamado Abdula, com a missão de estabelecer uma religião panteísta em substituição ao islamismo. Fundou ele uma sociedade secreta para propagar as suas crenças, derivadas de uma mistura do hinduísmo com os ensinamentos herege persa Mani. Aos iniciados nessa sociedade, ofereciam-se nove graus de iluminação, similares aos Mistérios de Elêusis praticados na Grécia antiga.
Aos iniciados era ensinado o significado místico do número sete, que, na tradição ocultista, representava o número de planos da existência, do material ao espiritual. Também lhes era ensinados que Deus havia enviado, ao mundo, sete grandes mestres para conduzirem a humanidade à perfeição espiritual. Esses mestres foram Adão, o primeiro homem; Noé, o sobrevivente do dilúvio; Abraão, o fundador caldeu da religião de Javé; Moisés, o iniciado egípcio e fundador da Cabala; Jesus; Maomé e Ismael. Os membros da sociedade também aprendiam as filosofias gregas de Platão e Aristóteles e eram doutrinados com os ensinamentos esotéricos dos sufis.
A sociedade secreta de Abdula se espalhou pelo Oriente Médio, reunindo-se em pequenos grupos a fim de conspirar contra o islamismo, até a sua supressão em 1123. Um de seus iniciados foi Hassan-ibn-Sabá, que, em 1093, organizou uma ramificação denominada de Ordem dos Devotos. A nova Ordem renunciou ao panteísmo místico da sociedade original, em favor das virtudes positivas do Corão. Foi essa Ordem dos Devotos que se desenvolveu na seita conhecida como os Assassinos.
Argumenta-se que os Assassinos derivam o seu título do árabe hashishmar, ou “comedor de haxixe”, o cânhamo usado em seus rituais. Outras autoridades alegam derivar-se do árabe hass, significando “destruir”, ou de asana, que quer dizer “armar ciladas”. Hassan recebeu o tradicional título de Sheikh al Jebal ou Senhor da Montanha, daí o seu título popular de Velho das Montanhas. Ele e os seus seguidores construíram um castelo em Alamut ou Ninho das Águias, na Pérsia. Encarapitado 183 metros acima de um desfiladeiro e cercado de montanhas hostis, era praticamente inexpugnável. Dessa elevada fortaleza, os Assassinos moveram uma guerra internacional de terrorismo contra quem se lhes opusesse.
Hassan morreu em 1124, mas os Assassinos sobreviveram como mercenários dispostos a matar a qualquer preço. Vários conhecidos cruzados europeus lançaram mão dos Assassinos, inclusive o rei inglês Ricardo Coração de Leão e Frederico II, da Sicília, excomungado pelo papa por contratá-los para assassinarem o duque da Baviera.
A fortaleza dos Assassinos foi, finalmente, invadida pelos mongóis, em 1256, e a Ordem foi dispersada. Entretanto, já em 1754, o cônsul inglês em Alepo asseverou que a Ordem dos Assassinos ainda sobrevivia na Pérsia, Síria e Índia. Afirmou-se que eles ensinaram as suas habilidades assassinas ao culto hindu dos turgues, que adoravam a deusa da destruição Kali e praticavam  sacrifícios humanos durante os dias do domínio britânico. Em 1866, os Assassinos foram mencionados  em um caso judicial em Bombaim, envolvendo um príncipe persa que alegava ser um descendente direto do grão-mestre original da Ordem.
Alguns estudiosos tentaram estabelecer vínculos concretos entre os Assassinos e os sufis, identificados como adoradores da Deusa por usarem o símbolo do duplo machado (associado à antiga adoração da Deusa) e pela natureza xamanista de seus rituais, envolvendo a dança e o canto. Cerâmicas pintadas com o pentagrama ou estrela de cinco pontas e o vesica piscis — um símbolo abstrato da vulva feminina — foram desenterrados das ruínas da fortaleza da montanha dos Assassinos. Eles também usavam túnicas e uma faixa vermelha, simbolizando a inocência e o sangue, semelhantes ao traje adotado pelos zoroastristas, sufis, cátaros e templários.
No período da atuação dos Assassinos, a Igreja Católica organizava as suas primeiras cruzadas, para estender o seu poder político ao Oriente Médio e recuperar a Terra Santa do islamismo. o início das Cruzadas pode ser fixado a partir da década de 1060, quando o papa Alexandre II concedeu indulgencias aos cavaleiros que haviam enfrentado os invasores mouros na Espanha. Em 1096, um monge excêntrico, Pedro o Eremita, liderou, através da Europa, uma Cruzada dos Camponeses composta de vários milhares de homens, mulheres e crianças para libertarem Jerusalém dos árabes. A maioria desses desafortunados foi massacrada, no caminho, por bandos de criminosos e pelos exércitos do Império Bizantino, que abrangia os modernos países da Bulgária, Iugoslávia, Grécia e Turquia. A essa primeira e desastrosa cruzada, seguiram-se outras bem-organizadas e lideradas por cavaleiros treinados que lograram consideráveis sucessos militares e, finalmente. estabeleceram um reino cristão em Jerusalém, no início do século XII.
Não obstante o estabelecimento de um exército de ocupação cristão na Terra Santa, os peregrinos europeus que viajavam para os locais sagrados continuavam enfrentando vários perigos. na Páscoa de 1119, um grupo de 300 peregrinos, viajando de Jerusalém para o Jordão, foi atacado e morto pelos sarracenos, O rei Balduíno II, de Jerusalém, ficou tão chocado com essa atrocidade, que tomou providências para impedir que fatos semelhantes jamais voltassem a se repetir. Balduíno tinha, a seu serviço, um cavaleiro frâncico chamado Sir. Hugh de Payens, que passara três anos pelejando na Terra Santa. O rei sugeriu a de Payens que organizasse uma Ordem Cavalheiresca para defender as rotas dos peregrinos, oferecendo parte de seu palácio para a sede da nova organização. O palácio dentro dos muros de uma mesquita erguida no local do templo original de Salomão e, por essa razão, Sir Hugh denominou a sua nova Ordem de Templi Militia, ou Soldados do Templo, que mais tarde assumiu a denominação mais pomposa de Cavaleiros do Templo de Salomão  em Jerusalém.
Balduíno inicialmente financiou os Cavaleiros Templários, mas de Payens decidiu viajar à Europa em busca de patrocínio, por saber que, para que a Ordem tivesse sucesso, precisaria do apoio da Igreja. Ele já havia decidido que os templários seriam monges guerreiros e aceitou o apoio de St. Bernard de Clairvaux, fundador da Ordem de Cister, que formulou as regras monásticas para a Ordem e intercedeu a seu favor junto ao papa, que concedeu a sua aprovação.
Sob a proteção religiosa de St. Bernard, os templários proferiam votos de pobreza, castidade e obediência aos princípios cristãos e declaravam a sua intenção de proteger as rotas até a Terra Santa para os peregrinos. Eles se dedicavam à Mère de Dieu, ou Mãe de Deus (Virgem Maria), jurando  “consagrarem as suas espadas e as suas vidas à defesa dos mistérios da fé cristã”. Considerando-se a história e o posterior declínio da Ordem, esse voto é muito significativo.
Ainda que o relato acima constitua a versão geralmente aceita da fundação dos templários, a controvérsia ainda cerca as suas origens. Os autores do best-seller, The Holy Grail and the Holy Blood, argumentam que os templários foram uma ramificação de uma sociedade secreta ainda mais antiga denominada Priorado de Sião. Essa organização se dedicava à restauração, na França, da antiga dinastia merovíngia, supostamente descendente de Jesus e Maria Madalena, sendo a eminência parda por detrás da Ordem Rosa-Cruz.
A fundação do Priorado pode ser, presumivelmente, remontada ao adepto gnóstico Ormus, que viveu no século I d.C. Ele foi convertido para a versão herética da mensagem cristã por Marcos, um discípulo de Jesus de Nazaré, e formou uma sociedade secreta que uniu o cristianismo esotérico aos ensinamentos da escola de Mistérios pagãs. Ormus adotou, como seu símbolo, uma cruz encimada por uma rosa, significando a síntese da antiga e da nova religião. A cruz vermelha foi, mais tarde, adotada pelos templários, enquanto a cruz rósea era o sinal mágico usado pelos rosa-cruzes medievais.
Quaisquer que sejam as origens da Ordem, com o apoio de St. Bernard, os templários parecem Ter se fortalecido mais e mais. O papa Honório concedeu-lhes a bênção papal, e a Ordem adotou como o seu uniforme um manto branco com uma cruz vermelha de ramos iguais. De inícios, os templários aderiram a seus votos de castidade e pobreza, mas um pouco depois de sua fundação, a Ordem começou a adquirir aspirações políticas. A tradição dos templários baseava-se, firmemente, na renovação do ideal cavalheirescos, severamente enfraquecido pelas Cruzadas. Os cavaleiros, que haviam deixado a Europa com um código moral de guerra rigoroso, tinham se embrutecido com as suas batalhas contra os sarracenos, entregando-se a uma orgia de massacres sangrentos estrupos e saques. Os templários desejavam restaurar os princípios do cavalheirismo, estabelecendo a sua nova idade de ouro. O seu objetivo derradeiro, em nível político, consistia em uma Europa unificada, regida por princípios cristãos, ainda, que a sua versão do cristianismo diferisse radicalmente da do Vaticano.
Inspirados pelos grãos-mestres da Ordem que sucederam Sir Hugh de Payens, os templários adquiriram tanto poder político como material. Mesmo antes da morte de Payens, a Ordem havia se ramificado internacionalmente. Em 1129, de Payens visitara a Inglaterra e Escócia, tendo contactado ricos patronos que doaram  terras e dinheiro à sua causa. A Ordem também se estabeleceram na França e Espanha, e na Terra Santa construíram uma rede de castelos para defender as rotas dos peregrinos e os locais  santos da Cristandade.
No início do século XII, os templários haviam se tornado os banqueiros internacionais da Europa, sendo nomeados tesoureiros da família real francesa e do Vaticano. Os grãos-mestres das ordens militares de monges guerreiros, que incluíam os Cavaleiros Templários, os Cavaleiros de São João e os Cavaleiros Teutônicos, haviam adquirido considerável poder político. No século XII, as suas Ordens controlavam 40% das fronteiras da Europa. Navios de propriedade dos templários e de outras ordens militares não só carregavam soldados para o Oriente Médio, como também transportavam peregrinos ricos que pagavam suas passagens. Em suas viagens de volta, os navios traziam cargas que incluíam especiarias, perfumes e seda, vendidas para mercadores a altos preços.
Em janeiro de 1162, o papa Alexandre III emitiu uma bula papal especial concedendo poderes extraordinários aos templários. Eles foram liberados de toda obediência espiritual, exceto ao próprio papa, permitidos. de possuírem os seus próprios capelâes e cemitérios e liberados do pagamento de dízimos, podendo, em vez disso, recebê-los. Uma vez um cavaleiro tornando-se um templário, era-lhe proibido deixar a Ordem, a não ser que fosse transferido para outra Ordem militar. Essa bula papal fortaleceu o poder político da Ordem ainda mais, e consta que o grão-mestre teria dito a Henrique II, da Inglaterra, “Você permanecerá rei na medida em que for justo”., sugerindo Ter o poder de derrubá-lo do trono.
Os artifícios empregados pelos templários para ganhar dinheiro eram legendários. Diz-se que um grupo de cavaleiros foi enviado a um convento perto de Damasco, onde um milagre havia ocorrido, Uma estátua da Virgem Maria havia se coberto de carne e de seus seios escorria um abundante líquido como o poder de curar os doentes e apagar os pecados. Os templários retornaram do convento com um grande suprimento do líquido dos seios da Virgem, que eles engarrafaram e venderam a peregrinos crédulos.
No entanto, rumores de má conduta por parte dos membros da Ordem começavam a circular. Já em 1208, o papa havia censurado o grão-mestre, alegando que, ainda que os cavaleiros usassem a cruz cristã, poucos seguiam os ensinamentos de Jesus. Segundo ele, muitos dos homens admitidos na Ordem eram culpados de adultério e outros delitos sexuais não-especificados. As atividades dos templários nas Cruzadas também estavam sendo criticadas por aqueles que os consideravam traidores da causa cristã.
Em 1219, os templários professaram a sua obediência a um legado papal, quando esse encabeçou uma força expedicionária contra Damasco. Contudo, os cavaleiros desobedeceram às suas ordens e agiram por contra própria. Quando o r ei Frederico II, da Sicília, empreendeu a sua primeira cruzada ao Egito, os templários conspiraram com o sultão para que a campanha fracassasse. o rei retaliou confiscando as propriedades dos templários na Itália e Sicília, ao que os templários deram a devida resposta, desapropriando os Cavaleiros Teutônicos, ordem fundada por Frederico, de suas propriedades na Síria.
Tornou-se crença generalizada que os templários estavam empenhados em assinar pactos secretos com os sarracenos. Esses rumores pareceram se confirmar quando a Ordem se aliou ao emir de Damasco contra os Hospitalários da Ordem de São João. Em 1259, as relações entre as duas Ordens haviam degenerado a tal ponto, que o conflito aberto irrompeu, e uma batalha se travou entre os templários e os hospitalários. Eram frequentes os exemplos de alianças dos templários com os sarracenos, chegando eles a contactar a Ordem dos Assassinos e, uma conspiração para conceder-lhes o poder em Tiro, o antigo centro de adoração da Deusa e local do nascimento de Hiram Abiff.
Devido à força dos templários, poucos ousavam desafiá-los abertamente, mas vinham ocorrendo eventos que levariam ao enfraquecimento de seu poder político, com consequência fatais para o futuro da Ordem. Esses eventos coincidiram com a perda de sua sede no local do Templo de Salomão, em Jerusalém, e a sua expulsão da Terra Santa, em 1291, ao ser recapturado pelos sarracenos.
Em 1307, o rei Filipe, da França, estava à beira da falência, devendo aos templários considerável montante de dinheiro, Filipe soube que acusações vinham sendo feitas contra a Ordem por dois membros renegados, Roffo Dei e o prior de Montaucan, que tinham sido aprisionados pelos templários por crimes desconhecidos. Ambos os homens haviam escapado e procurado a proteção do rei francês, imediatamente oferecida em troca de provas incriminadoras das atividades secretas dos cavaleiros Templários.
Felipe IV passou a informação ao papa Clemente V, e orei e o pontífice conspiraram para atrair o grão-mestre da Ordem, Jacques de Molay, a uma armadilha em solo francês. O papa solicitou ao grão-mestre que viesse, de sua sede em Chipre, visitar Paris, a fim de discutirem uma nova cruzada na Terra Santa para recuperarem Jerusalém dos árabes. De Molay deixou Chipre trazendo a sua guarda pessoal de cavaleiros, 150 mil florins de ouro e seis cavalos carregados de prata. Esse tesouro foi depositado na casa capitular templária em Paris.
De modo a transmitir a Molay uma falsa sensação de segurança, Filipe fez do grão-mestre padrinho de seu filho e o convidou ao funeral de sua cunhada, ajudando a carregar o caixão. Na realidade, o ardiloso rei. estava tramando a queda dos templários e a morte de Molay. Os cavaleiros estavam hospedados na cidade templária de Paris e, a 13 de outubro de 1307, o rei levou a cabo o seu plano. Tropas cercaram a edificação e todos no seu interior foram presos. Num período de 48 horas, mandados haviam sido emitidos ordenando a detenção de todos os templários na França, ainda que essa medida fosse tecnicamente ilegal, já que a Ordem se subordinava apenas ao papa, e não às leis civis. Entretanto, em 22 de novembro, o papa emitiu uma bula a todos os soberanos cristãos da Europa ocidental, ordenando-lhes que prendessem os membros da Ordem residentes em seus países. A sorte dos templários estava selada.
A lista de acusações contra a Ordem era conhecida, pois tinham sido lançadas contra os cátaros do sul da França, porém havia alguns interessantes novos elementos. Especificamente, os templários foram acusados de negarem os princípios da fé cristã, cuspirem ou urinarem no crucifixo durante ritos secretos de iniciação, cultuarem uma caveira ou cabeça chamada Baphomet em uma caverna escura, ungirem-na com sangue ou a gordura de bebês não batizados, cultuarem o Diabo na forma de um gato preto e cometerem  atos de sodomia e bestialidade.
Segundo outras acusações menores, os templários juravam obedecer somente à Ordem, assinavam pactos secretos com os sarracenos e se entregavam a práticas islâmicas, assassinavam quem se opusesse a suas pretensões, enterrando-os secretamente em solo não consagrado, rompiam os seus votos de castidade e providenciavam abortos para as suas amantes, e, finalmente, o grão-mestre da Ordem ouvia as confissões dos cavaleiros, absolvendo-os de todos os pecados cometidos em nome dos templários.
Qual a base real dessas acusações, se é que a tinham? É fácil identificar as alegações sensacionalistas, respaldadas por respaldadas por confissões extraídas sob tortura, como um pretexto urdido por um rei falido para poder se apossar, legalmente, da riqueza da Ordem. O papa apoiou o plano porque passara a temer o poder político dos templários, que estavam criando uma igreja dentro da Igreja, ameaçando a sua própria posição como líder ungido da Cristandade. No entanto, os templários despenderam muitos anos no Oriente Médio e a Ordem tinha sido fundada no local do templo do rei Salomão. Duas importantes cidadelas templárias localizavam-se nos portos de Tiro e Sídon, antigos centros de adoração à Deusa, associados às origens pagãs da franco-maçonaria. O uniforme templário vermelho e branco também era usado pelos Assassinos, com os quais os cavaleiros haviam, supostamente, pactuado. Uma das acusações lançadas contra s templários foi a de que usavam uma faixa ou corda mágica recebida nas cerimônias iniciatórias, sugerindo conexões com os zoroastristas, cátaros e sufis.
Em suas confissões, os cavaleiros revelaram que as cerimônias de iniciação dos templários se davam à noite em capelas iluminadas por velas. Os iniciadores eram forçados a renunciarem a fé cristã, em sinal de fidelidade à Ordem, e a cuspirem, urinarem ou pisotearem em um crucifixo. Por blasfemo que isso pareça, é possível que o iniciado fosse assim instruído por que, à semelhança dos cátaros, os templários rejeitassem o crucifixo como um símbolo mau do sofrimento e da morte. Alguns iniciados confessaram Ter ouvido, dos superiores da Ordem, que Jesus fora um falso profeta e que não deveriam respeitar o crucifixo por ser “jovem demais”. Isso sugere elementos do dualismo gnóstico e do paganismo.
Os candidatos a ingressar na Ordem também tinham de beijar os seus inciadores na boca, no umbigo, no pênis e “na base da espinha”. Esses beijos, para os críticos da Ordem, provavam as suas atividades sexuais pervertidas; porém, na tradição ocultista, o umbigo, os órgãos sexuais e o períneo são a localização física dos centro psíquicos do corpo humano, conhecidos no Oriente como chakras. O períneo marca o Kundalini chakra, a fonte psíquica da energia sexual no corpo. Diferentes técnicas oculistas permitem a liberação dessa energia, de modo que ela possa subir a medula espinhal para iluminar o cérebro. É possível que, em sua permanência no Oriente Médio, a Ordem dos templários tenha contactado adeptos das escolas de Mistérios árabes, que lhes ensinaram os segredos da magia sexual. Essa teoria é respaldada pelo fato de que, no clímax da cerimônia, o iniciado se entregava a um ato de sodomia com o capelão.
A especulação foi sempre fértil quanto à natureza exata do objeto de culto venerado pelos templários. Tratava-se de uma imagem em forma de caveira ou cabeça, denominada pelos cavaleiros de Baphomet, palavra de derivação ignorada. Baphomet tem sido, alternadamente, descrito como uma divindade andrógina com duas faces e uma longa barba branca, ou  uma caveira humana, dizendo profecias oraculares que guiavam o destino da Ordem. Alguns estudiosos dos templários chegam a especular que essa imagem seria o sudário de Turim, presumivelmente a peça usada para enrolar o corpo de Jesus após a sua morte.
O ocultista do século XIX, Alphonse Constant , ex-sacerdote católico romano que adotou o pseudônimo judaico de Eliphas Levi, ao abraçar a via mágica, escreveu extensamente sobre a deidade dos templários . Levi via Baphomet como uma figura mágica e panteísta representando, simbolicamente, o Absoluto. Ele reproduziu uma ilustração de Baphomet, aparentemente baseada em uma efígie da deidade encontrada na Commnaderie de Saint Bris le Vineux, construção pertencente à Ordem. A gárgula tem a forma de uma figura chifruda e barbada, com seios femininos pendentes, asas e patas fendidas. Ela está sentada de pernas cruzadas, numa posição semelhante às estátuas do deus-cervo, Cernunnos ou o Chifrudo, adorado na Gália (França) antes da ocupação romana.
Na ilustração de Levi, Baphomet é uma figura com cabeça de bode e características andróginas, sentado sobre um cubo. Uma tocha queima entre os cornos do bode, representando a inteligência cósmica e a iluminação espiritual. Na tradição oculta, Lúcifer — encarado pela Igreja como o Diabo — é chamado de o que traz a luz, por conceder aos seus discípulos a iluminação espiritual através da encarnação no plano físico. De acordo com Levi, a cabeça de Baphomet combina as características de um cão, um touro e um bode, que representam as três fontes da tradição pagã dos Mistérios. Elas são o Egito — o deus-chacal Anúbis, guia dos mortos no Outro Mundo e identificado com o grego Hermes; a Índia — o touro sagrado, que pode ser a origem de Mithra; e a Judéia — o bode expiatório, sacrificado no deserto para limpar os pecados da tribo.
Na testa da figura de Baphomet, marcado o local físico da glândula pineal ou terceiro olho, está o sinal mágico do pentagrama ou estrela de cinco pontas, que representa a humanidade em seu estado imperfeito. Trata-se também de um símbolo da estrela da manhã. Vênus, que era associada a Istar e Astarte. A estrela da manhã também era um título dado a Lúcifer, descrevendo a sua queda do céu na Bíblia.
A figura andrógina de Baphomet possui seios femininos e a parte inferior do corpo velada, retratando os mistérios da procriação. Entretanto, a natureza fálica do deus-bode é simbolizada pelo caduceu, isto é, a vara com duas serpentes enroscadas portadas por Hermes. O símbolo esconde o pênis ereto da figura de Baphomet. O seu ventre está coberto por escamas, representando a origem reptiliana da raça humana no processo evolucionário.
A natureza andrógina de Baphomet é enfatizada pelo fato de que um braço é masculino, enquanto o outro é arredondado e feminino. Uma das mãos aponta para cima e a outra para baixo, representando o axioma hermético “Assim em cima... como embaixo”. As mãos apontam para uma lua crescente preta e outra branca, significando as fases crescente e minguante preta e outra branca, significando as fases crescente e minguante da lua. Estas simbolizam a dualidade da natureza humana e os princípios masculinos e femininos, cuja união produziu a manifestação do universo e os poderes da luz e das trevas.
O que representa a palavra Baphomet? O falecimento Montague Summers, autor de d versos livros sobre bruxaria e demonologia, de um ponto de vista católico radical, derivou a palavra do grego Baph metis, significando “ o batismo da sabedoria”, que se referia a um ritual secreto conhecido apenas pelo grão-mestre dos templários. A falecida Madeline Montalban, conhecida ocultista e fundadora da Ordem da Estrela da Manhã, conta-nos que converteu Baphomet em Bfmaat, palavra derivada da língua enoquiana. Segundo Montalban, o enoquiano era a língua falada no continente perdido de Atlântida e, ainda que conhecida por iniciados, ocultistas desde os primeiros tempos, ela só foi revelada para o mundo externo pelas pesquisas do astrólogo e mago da era elisabetana, dr. John Dee. Em enoquino, a palavra Baphomet ou Bfmaat pode ser interpretada, segundo Montalban, como “o Abrigo da Porta”. Madeline Montalban interpretou, ainda, a figura de Baphomet como um glifo do signo zodiacal Capricórnio. Esse signo astrológico simbolizava as ambições materiais e as aspirações políticas dos templários. Em nível esotérico, o emblema caprino de Capricórnio é encarado como um símbolo do iniciado ocultista que escala a montanha celeste para alcançar a unidade com o Divino.
Segundo Idries Shah, o autor de temas sufis, Baphomet vem da palavra árabe Abufihamat, que pode ser traduzida como “o Pai da Compreensão”, ou “a fonte da sabedoria e do conhecimento”, sendo um título usado para descrever um mestre sufi. É bem possível que os templários tivessem se exposto às crenças do sufismo, em seu período na Terra Santa, e à filosofia dualista gnóstica. Muitos dos templários eram nascido no Oriente Médio, inclusive o grão-mestre Filipe de Nablus, eleito em 1167, natural da Síria.
Escreveu Levi que, invertendo-se as letras de Baphomet, obteríamos TEM OHP ABI. Estendendo e traduzindo-se para o latim esse anagrama, obtenmos Templi omnium hominum pacis abbas, ou “O Pai do Templo da Paz de todos os homens”. Levi o considerou como uma referência ao templo construído por Salomão, cujo propósito esotérico era trazer a paz ao mundo.
Há muitas afirmações no sentido de que os templários eram adoradores secretos da Deusa. Um dos objeto encontrados em uma casa capitular templária em Paris foi a imagem de prata de uma figura feminina. dentro dessa estatueta estavam alguns ossos humanos enrolados em linho vermelho e branco. Segundo o dr. Hugh Schonfield, um especialista nos pergaminhos do Mar. Morto, existira um vínculo entre os templários e os essênios. Ele afirma que o nome Baphomet pode ser traduzido, de acordo com um código secreto essênio, na palavra Sofia. Trata-se da palavra grega para a sabedoria e o nome de uma deusa venerada na religião gnóstica. Além disso, o misterioso gato preto cultuado pelos templários tem sido identificado, por alguns ocultistas, como uma imagem da deusa-gata egípcia, Bast, ou da deusa-leoa, Secmet.
Os relatos do culto a Baphomet derivam-se, em grande parte, de confissões extraídas sob tortura, durante as quais vários membros da Ordem morreram. Entretanto, muitos deles confessaram sem recurso à tortura, confirmando histórias que os agentes do rei Filipe, infiltrados na Ordem, haviam obtido. Em 22 de outubro, Jacques de Molay confessou, perante uma assembléia de acadêmicos da Universidade de Paris, que as acusações contra a Ordem eram verdadeiras. Ele endereçou uma carta aberta aos seus colegas instruindo-os, prontamente, a confessarem as más práticas às quais se entregaram como membros da Ordem. Como resultado dessa carta, um dos principais membros da Ordem a confessar foi o Grande Tesoureiro, Hugo de Pairuad, Revelou Ter sido responsável pela iniciação de muitos cavaleiros na Ordem e de Ter visto o deus dos templários, que lhes concedia a riqueza terrena, tornava-lhes as terras férteis e causava a morte de seus inimigos.
A investigação dos crimes dos templários foi minuciosa e durou vários anos. A Ordem só foi oficialmente dissolvida pelo papa em 1312. Os templários que se revelaram inocentes das acusações ou que, caso culpados, se submeteram à Igreja, foram libertados e receberam pensões. Aqueles que se recusaram a se retratar foram condenados à fogueira. Ao rei Filipe coube parte substancial das propriedades e rendas dos templários, o restante sendo compartilhado pelos Cavaleiros de São João.
Em março de 1314, após vários adiamentos causados pela incapacidade do papa de aceitar plenamente a culpa dos templários, de Molay recebeu a oportunidade de se submeter à Igreja e, ao recusá-la, foi queimado vivo. A pira foi acesa em uma pequena ilha do Sena, entre os jardins do palácio real e a igreja dos Irmãos eremitas. Logo antes de morrer, de Molay anunciou a sua inocência e amaldiçoou o rei de França e o papa. Ele disse que Filipe seria convocado pelo seu criador dentro de 12 meses e o papa antes de 40 dias. Clemente morreu a 20 de abril e Filipe morreu a 29 de novembro.
Ainda que Ordem Templária fosse dizimada na frança, ela não sofreu tão brutalmente em outras nações européias. na Inglaterra, o rei Eduardo II reagiu lentamente à bula papal condenando os templários. Ele prendeu os seus membros, mas permitiu que o Mestre do Templo inglês recebesse uma pensão. No entanto, decorrido um mês das prisões, Eduardo confiscou todas as propriedades dos templários no país, aproveitando-se dos seus recursos financeiros para abarrotar os próprios cofres. Ainda que um sacerdote templário confessasse Ter negado Jesus em sua iniciação, nenhuma ação foi tomada contra ele. Os membros da ordem prontamente se submeteram à Igreja, para evitarem qualquer punição adicional, tendo sido perdoados.

na Alemanha, em Portugal, na Suíça e em Aragão, os templários foram declarados inocentes, e em Chipre, que abrigava a sede da Ordem, todos os cavaleiros foram absolvidos das acusações lançadas pelo rei Filipe. Antes de sua execução, de Molay nomeou como sucessor um cavaleiro de confiança, chamado Larmenuis, pedindo-lhe que reorganizasse, secretamente, a Ordem e reunisse os cavaleiros dispersos. É a partir desse ponto da história que os templários, efetivamente, desaparecem da visão pública. Eles emergiriam,  nos séculos posteriores, como uma organização clandestina que se dedicava, subterraneamente, à promoção da tradição ocultista e da política subversiva. 


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